Complexo Gengivite-Estomatite-Faringite Felino
- Maria Clara Colombini
- 21 de nov. de 2023
- 2 min de leitura
O que é Complexo Gengivite-Estomatite-Faringite em Felinos?
O Complexo Gengivite-Estomatite-Faringite (CGEF) é uma doença oral comum em felinos, caracterizada por inflamação intensa e lesões ulcerativas. Gatos com idade entre três e quinze anos, especialmente raças como Persa, Himalaia, Maine Coon, Exótico e Siamês, parecem ser mais suscetíveis a desenvolver essa condição com sintomas que variam de ligeira disfagia a grave relutância em se alimentar, levando a uma perda de peso progressiva e apatia. O histórico e a raça são importantes para identificar casos suspeitos, e a doença pode impactar negativamente a qualidade de vida do animal.
Etiologia
A etiologia do Complexo Gengivite-Estomatite-Faringite Felina não é totalmente compreendida, mas acredita-se que seja causada por uma resposta imunológica anormal a infecções virais, como o herpesvírus felino (FHV-1) e o calicivírus felino (FCV). Essa condição afeta principalmente gatos e pode levar a inflamações graves nas gengivas, boca e faringe, causando desconforto e problemas na alimentação.
Sinais Clínicos
É importante mencionar que animais afetados
podem apresentar uma variedade de sintomas, desde formas leves até severas. Entre os sinais clínicos mais frequentes destacam-se halitose (mau hálito), ptialismo (salivação excessiva), sialorreia (babeamento), disfagia (dificuldade em engolir) e inapetência. Além disso, os sintomas incluem dificuldade para se higienizar, deglutir, anorexia (perda de apetite), hemorragia bucal, perda de peso e desidratação. A manifestação desses sinais pode variar em gravidade, e o tratamento veterinário adequado é fundamental para o bem-estar do animal afetado.
Exame Físico
O exame físico nesses casos é importantíssimo, pois clinicamente a doença pode ser classificada de grau O a IV, de acordo com a intensidade e os tipos de lesões na cavidade oral que podem ser analisadas na realização deste exame.

Diagnóstico
O diagnóstico rotineiro da doença começa com uma anamnese minuciosa e avaliação dos sinais clínicos. Informações sobre a idade do animal, alimentação, a evolução dos sintomas e tratamentos anteriores são observados durante a abordagem diagnóstica.
Com base nesses dados, o médico veterinário pode realizar exames de imagem, como radiografias odontológicas, para confirmar o diagnóstico e identificar possíveis lesões de reabsorção odontoclástica associadas à gengivoestomatite felina.
Tratamento
O tratamento pode incluir opções clínicas ou cirúrgicas, porém, pode não ser totalmente efetivo, as respostas variam entre os pacientes e podem ser temporárias, com possibilidade de recorrência. Segundo estudos 60% dos gatos que realizam a exodontia radical têm a cura total da doença podendo seguir a vida alimentar normalmente, mas 20% mesmo com a cirurgia podem continuar precisando de medicamentos e outros 20% ficam refratários à cura e não atingem melhora e nem cura com os protocolos disponíveis.
Medicamentos para regular a resposta imunológica podem ser usados como complemento ao tratamento cirúrgico. É importante ressaltar que alguns medicamentos podem controlar o processo inflamatório, mas não garantem a cura da doença, o uso de corticosteroides sistêmicos pode ser considerado em casos mais graves, entretanto, deve ser prescrito com precaução. Sendo importante lembrar que os animais que possuem mais chances de se tornar refratários ao tratamentos são aqueles imunossuprimidos, que possuem FIV, FeLV, Herpesvírus ou Calicivírus.
Imagem de caso

Referências
ABREU, A.C.A. Complexo gengivite-estomatite-faringite dos felinos: revisão de literatura. Ufersa, 2012.
SILVA, C. R. . Complexo Gengivite-Estomatite-Faringite Felina: Relato De Caso. Pubvet 2020.
LITTLE, Susan E. O Gato: Medicina Interna. 1. ed: Roca, 2016.
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